Relata-se que em um monastério viviam dois monges que eram muito amigos e sempre cumpriam seus afazeres em conjunto. Os dois tinham muita fé em suas crenças e seguiam devotamente todos os mandamentos de sua religião. E, de acordo com suas crenças, eles não podiam nem se aproximar ou mesmo tocar em mulheres.
Certo dia, ao atravessarem a floresta para comprar mantimentos para o monastério, se depararam com uma mulher que estava com dificuldades para atravessar o rio que dava acesso ao vilarejo, e estava prestes a se afogar.
Um dos monges disse:
– Não podemos ajudá-la, fizemos voto de que não poderíamos tocar em mulher alguma.
O outro monge replicou:
– Também fizemos voto de ajudar a todas as pessoas e criaturas deste mundo, sem distinção.
Então, este mesmo monge pulou no rio, colocou a mulher em suas costas e a deixou na outra margem. Os dois monges seguiram caminho e durante a jornada houve um grande silêncio.
O monge que não ajudou a mulher estava com semblante pesado e carrancudo e o outro levava sua expressão de serenidade, como era de costume.
Logo, o silêncio foi interrompido pelo monge que não ajudou a mulher, e começou a repreender o companheiro por ter feito isso. Estava fora de si, com o rosto vermelho de tanta raiva.
– Você não devia tê-la carregado, ela vai ser um peso para sua caminhada!
O outro monge respondeu:
– Eu deixei a mulher na margem do rio, no entanto, você é quem a está carregando.
